SAMOA, A FANTÁSTICA

Quando as pessoas vêem cães lindos, de pelo brilhante, bem comportados e simpáticos pensam que estes tiveram sempre uma vida fácil…

O Clube da Tula-Samoa

As pessoas ainda me perguntam na rua quanto é que paguei pela Tula… E a pele do meu corpo todo reage que nem com o pior fogo do mundo… “A Tula foi adoptada”, digo sempre… E remato com “Por favor, não compres, adopta”… Infelizmente, o imaginário humano construiu uma imagem de “cão giro/bem comportado/sem traumas” associada unicamente a animais que não passaram pela rua, que não tiveram nunca de se procurar o pão ou a gota de agua para se hidratar enquanto seres [in]humanos impassíveis passavam ao seu lado sem se sensibilizar…

Para todo aquele que vive nesse sono de engano, dou uma informação reveladora: Os cães da rua, os cães de refúgios, também podem ser os teus melhores amigos, também podem virar cães de sonho… Eles também podem, com amor e dedicação, ser o Patinho feio a converter-se em Cisne… Apenas precisas acreditar, deixar de discriminar, esquecer aquela lenda urbana de que todo cão da rua é um cão traumatizado que não merece uma segunda oportunidade… Faz favor: “Adopta, não compres”…

O Clube da Tula-Samoa

Como a minha visão do assunto pode ser vista como algo parcial (é de conhecimento público a minha paixão irremediável por cães e galgos velhos, aleijados, doentes e descartados), vou ficar a um lado, bem caladinha, e simplesmente apresentarei um caso real, que te mostrará aquilo que te quero explicar…

Refiro-me a Samoa, uma dos “4 Fantásticos” de O Clube da Tula… Sim, essa menina preta que ilumina o nosso Catálogo de tuli-lenços… A pit bull???? Sim, essa mesma…

O Clube da Tula-romantic

Se te perguntas quanto terá custado aos donos essa menina, vou dizer-te que lhes custou 0 euros, mas dois corações… Porque quando a conheceram, ela roubou o da Paula e o do Ruben… Dois corações por uma cachorra de pit bull… Um preço alto demais? Nada disso… A Paula voltava pagá-los, e por isso conta-nos:

Eu estava numa altura muito negra da minha vida. Tinha deixado que todas as contrariedades que me aconteciam moldassem a minha forma de viver. Foi então que numa noite, antes de dormir, estava a navegar no Facebook e passo por uma foto de uma cadelinha com 4 meses que estava no Hostel Dogs and Cats. Comentei que tinha o olhar muito parecido com o do meu cão (que foi a minha companhia durante 16 anos) e que esperava que os donos a tratassem bem para ver se tinham a mesma sorte que tive com o meu cão. Passados uns minutos recebi mensagem de uma amiga, a Rita (do Hostel) a dizer qualquer coisa como “Olha o olhar da Jackie (era assim que se chamava), diz-te alguma coisa? É que ela precisa mesmo de uns donos como vocês…”

Foi então que eu, que tinha decidido que só ia adoptar um animal adulto ou com dificuldades me apaixonei por uma cadela por uma foto apenas… E disse isso à Rita, que ela era uma cachorra, que era fácil de arranjar dono… E aí a Rita contou a história da menina…

Tinha sido recolhida de uma rua de sassoeiros em Carcavelos, desnorteada e pouco reactiva. Aquela cadelinha do tamanho de uma ervilhinha acabada de despontar tinha anca fracturada, tinha costelas partidas e, fruto de cruzamentos pouco pensados, ainda era vítima de sarna demodécica.

Tinha dores e custava-lhe a andar. Pode ter sido atropelada ou vítima de qualquer outro tipo de violência que qualquer cão de rua pode sofrer.

Ali estava, uma cachorra de 5 meses com mazelas que poderiam ditar-lhe a vida para sempre. Mostrei a foto ao Ruben e disse “Acho que esta cadela precisa de mim”.

O Clube da Tula-Samoa

Foi assim… Candidatamos à adopção, aceitaram e fomos nós rumo ao sul buscar uma miúda que nos estragou todos os planos que tínhamos para adopção de mais outro amigo.

Confesso que a primeira vez que a vi, pequenina e magoada, despertou em mim uma revolta enorme mas, ao mesmo tempo, uma sensação de equilíbrio tão grande que nem consigo descrever…

Depressa nos apercebemos da doçura que esta menina tem para dar… Ficamos completamente apaixonados pela forma doce com que se enroscava em nós, a forma delicada com que tratava as crianças que se cruzavam com ela, e a maneira como nos deixa a nós fotógrafos completamente entusiastas a fotografar…

O Clube da Tula-Samoa

Não falo dela ser cruzada de pit bull, porque na verdade pouco me diz definições de cães perigosos, porque se ela é cruzada de alguma coisa deve ser de amor com dedicação ;)

Ahhh já esquecia… 3 meses depois de a adoptarmos já tinha os ossinhos recuperados e a alma reluzente assim como só ela sabe ;)

Paula Ribeiro

Já sabes… Se achas que a minha opinião está completamente viciada pelo meu amor pelos cães não comprados, então deixa-te levar pelas palavras da Paula Ribeiro…

Adopta, não compres… Não te vais arrepender…


Se és o afortunado parceiro de um cão adoptado que te roubou o coração, atreve-te e conta-nos a vossa história… Quantas mais historias contemos ao mundo, mais cães conseguiremos retirar da rua, mais cães de refúgios conseguirão ter uma vida de sonho, digna e cheia de calor de família… Tu tens o poder de fazer esse milagre realidade… Ajuda aos adormecidos a acordar à realidade dos que não têm voz e no entanto têm tanto para te dizer…


O Clube da Tula-Samoa

Créditos fotográficos, Búnker Studio / Samoa veste tuli-lenços de O Clube da Tula

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3 thoughts on “SAMOA, A FANTÁSTICA

  1. Felizmente tenho a sorte de poder partilhar casa com 4 animais de 4 patas…e infelizmente a a adopçao da qul vou falar já acabou no plano fisico, desde sempre que adoro caes e toda a especie de animais, em 2005 vi uma cadela adulta para adpçao responsavel e nao consegui resistir,era uma boxer ,magra,pintada de grafitis, tinha sido encontrada no metro em lisboa , combinei com a FAT ir até santa maria da feira para buscar a LARA… Foi no mes de outubro, a minha mae quando viu o tamanho recusou-se a manter a cadela dentro de casa…esta decisao demorou 2 horas a ser quebrada pela Lara :) ninguem resistiu e lá veio dormir no sofá ,fez me rir como ninguém, roubava chouriços aos vizinhos ,metia-se literalmente dentro do lado do vizinho e comia-lhe os peixes todos ,devorava bolos inteiros acabados de fazer sem ninguem dar conta…corria atras do meu outro residente como ninguém,pulava como so um boxer sabe fazer ,adorava o rio,as lagoas a praia…fez-me chatear também, com os anti caes que frequentam a praia…enfim…fez-me viver… até ter que partir ,infelizmente um linfoma levou-lhe a vida e com ela uma parte de mim….

    1. Olá Cara Rita… Obrigada pelo teu comentário e por partilhares a história da tua bela Lara, o tsunami em forma de boxer :). Mesmo que ela tenha partido ao Céu, podes ter a paz de lhe ter dado a segunda oportunidade que todos os cães do mundo deviam ter, de devolver a ela a dignidade que Deus lhe prometeu e de ter enchido a vida dela de amor incondicional… A Lara teve uma grande sorte de te ter como parceira e tenho certeza que para ti deve ter sido motivo de grande alegria e satisfação na vida… Um grandíssimo abraço…

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